segunda-feira, 30 de junho de 2014

Como encontrar os membros certos para uma banda? (parte 3)

Olá a todos. Em primeiro lugar peço desculpa pelo atraso nesta terceira parte. Depois de umas semanas loucas, finalmente há um bocado de tempo para continuar esta saga. Espero que vos seja útil.

continuação...

Agora que já descobrimos que tipo de banda é que queremos, e traçamos o perfil dos músicos ideias para trabalharem connosco, resta-nos perceber qual é o melhor sítio para encontrar músicos.

Em primeiro lugar, vamos ter em atenção o seguinte: porque é que queremos ter uma banda? Não temos mais nada para fazer, ou estamos a tentar construir algo através da nossa determinação e vontade de ter sucesso?

Normalmente procuram-se músicos sem bandas para que possam estar 100% atentos ao "nosso" projeto. É mesmo necessário ser "musicalmente solteiro"? É que, como vimos anteriormente, as pessoas que nós queremos têm um perfil cuja determinação e vontade são paralelos ao nossos. Então, será de esperar que essas pessoas estejam a tentar fazer o mesmo que nós, tentando construir uma banda, ou já integrando uma. Na maior parte das vezes sentindo os mesmos problemas e frustrações, com membros que são um peso morto e não lhes permitem sair sítio e moverem-se em direção ao tão desejado "sucesso". Exatamente como nós, eles procuram a oportunidade de trabalhar com pessoas movidas pela mesma vontade, e como tal, são os candidatos ideiais para o que queremos fazer. Muitos deles até já atingiram um determinado nível de sucesso. Eles são/foram líderes e exemplos para as bandas que têm/tiveram. São exatamente essas pessoas que precisamos. E nós somos quem eles precisam. Contudo normalmente aqui surge um problema. Vejamos esta situação:

O Rui está a fazer uma banda. O Ricardo é um músico que já teve algum sucesso e é quem o Rui quer na banda dele. O Ricardo tem uma banda, que carrega às costas. Mas perante o sucesso do Ricardo, o Rui tem vergonha de lhe fazer uma proposta, porque sente que não está ao nível dele. O que o Rui não sabe é que o Ricardo tem todo o interesse em trabalhar num projeto novo, com alguém que o ajude, em vez de o retrair. Então o Rui, acanhado com a vergonha e com medo de um não, fica calado e vai procurar outro músico. O problema não é o facto de o Ricardo já ter sucesso, o problema é a falta de confiança do Rui, em si e naquilo que quer construir.

Quando colocamos os outros num pedestal, obrigatoriamente estamos a condenar-nos ao fracasso e à mediocridade, a confiança é a chave.

(continua)

terça-feira, 3 de junho de 2014

Como encontrar os membros certos para uma banda? (parte 2)

    Esta semana vamos ver uma parte bem complicada, no que toca a encontrar membros para uma banda: o factor "humano". Como é que é possível arranjar os membros certos quando não se sabe sequer como é que "um" membro certo?
    Esta parte é a parte complicada porque no fundo, o que é certo para uns não é para outros. Então, aqui entra a estratégia ou, se preferirem, o planeamento daquilo que se quer fazer. A melhor forma de fazer isto é elaborar uma lista com as qualidades que, na nossa opinião pessoal, um músico ideal deve ter.

1. Começamos com o carácter, personalidade e atitude dentro E FORA do palco.
Quer queiramos quer não, vamos ter de conviver com estas pessoas. Não é saudável para uma banda, nem para ninguém, os integrantes não poderem estar juntos numa sala ou desfrutar da coisa fantástica que é fazer parte de uma banda.

2. A ética de trabalho. Para evitar a apatia que parece estender-se a grande parte dos membros das bandas, e aqueles músicos com egos gigantescos com quem é impossível trabalhar. Existe uma diferença entre liderar uma banda e ser integrante, mas não quer dizer que um integrante não se deva esforçar. Comparecer a horas é importante (se possível... os músicos sabem ao que me refiro) a não ser que os 30 minutos de atraso sejam tradição. Fazer o trabalho de casa é crucial. Mesmo que não liderem, é o mínimo que se pode esperar. E acima de tudo, evitar a postura do "Por mim está tudo bem, é como quiserem".

3. Capacidades técnicas individuais. Não é necessário que todos os músicos sejam virtuosos. Às vezes a falta de técnica pode ser compensada com trabalho. Um músico cumpridor será sempre mais útil do que um malabarista. Muitas vezes o grande nível técnico trás consigo um ego da mesma proporção (ver número 2). Obviamente se um músico juntar o grande nível técnico a uma boa dose de humildade, ainda melhor.

4. Capacidade criativa. A criatividade é a força que faz o mundo da música girar. Seja ela inspirada noutros, ou alguém consiga fazer algo inteiramente novo (muito difícil hoje em dia). Ter um colega de banda que é especialmente criativo, é uma mais valia. Fazer as coisas sozinhos é complicado, ter uma perspectiva diferente pode fazer toda a diferença numa música. ATENÇÃO no entanto, nível técnico e criatividade não são uma e a mesma coisa. Shred enquanto o vocalista canta, nem sempre cai bem. Um baixista que abandona a secção rítmica e o groove e parte para a melodia durante os versos, pode ser um bocado demais. Um músico ideal deverá saber distinguir, a não ser, claro, que seja essa ideia.

5. Presença de palco. Ora aqui está um gigantesco calcanhar de Aquiles de um número absolutamente ridículo de músicos. Muita gente se esquece que uma banda que toca ao vivo tem de dar um espetáculo. As pessoas saíram de casa, pagaram bilhete, foram para um ambiente com fumo, barulho, gente estranha (incluindo bêbados) porque querem ver um ESPETÁCULO. Não se esqueçam que se quisessem apenas ouvir música, ouviam sossegados em casa onde não se paga bilhete e as bebidas não custam 5 euros. Os stage moves, a atitude, a capacidade de incluir o público num espetáculo é uma traço importantíssimo para um músico. Além disso, a imagem dos músicos pode ser muito importante, pois pode determinar se o público gosta ou não da banda. Encaremos o facto de que é uma indústria de aparências, e um músico que vá para o palco de havaianas, calções e uma T-Shirt branca deslavada, por muito bom que seja, não vai fazer milagres pelo desempenho e aceitação da banda. Uma imagem cuidada e adequada ao estilo de música é fulcral.

6. Por último mas não menos importante, a experiencia na indústria, seja em estúdio, em tour, entrevistas, sessões fotográficas... whatever. Não é necessário que todos os músicos sejam experientes, mas pelo menos um que o seja, é uma mais valia. Mas a experiência pode ser conhecimento, nem que seja, conhecimento de como falhar, pois se alguém sabe um caminho errado, poderá avisar se a banda estiver a enveredar por ali. É importante que o(s) músicos com experiência estejam dispostos a partilhar com o resto da banda, e aqui entra a humildade (ver número 2). Aceitar estas informações partilhadas por quem sabe também é um traço fulcral para TODOS os membros de uma banda.

Obviamente, tudo aquilo que foi tratado nesta parte, são apenas os traços gerais de músicos que podem ser mais valias para uma banda. Cabe a cada um decidir o que é verdadeiramente importante ou não, mas na hora de escolher, certifiquem-se que pelo menos não escolhem o o
posto a estas qualidades.

Continua...