quarta-feira, 9 de abril de 2014
"Que $#%& de réplica, ó maninho!"
Comprar réplica ou guitarra de gama média/baixa?
Quando se dá aulas de guitarra, esta é uma pergunta que de vez em quando pode surgir. Os alunos, especialmente os mais jovens, assim como os pais, querem sempre (como todos nós) arranjar a melhor guitarra pelo menor preço possível. É difícil saber onde procurar, especialmente quando se está a começar, e de vez em quando lá aparecem umas Zippy ou umas Stagg compradas no Media Market ou na Fnac. Outras vezes, mesmo em lojas de música, os vendedores lá conseguem impingir ao pai mais desatento um fabuloso starter kit da Squier que consiste num remo com cordas e uma caixa amplificada cuja distorção parece vir de um speaker roto. Umas palhetas, uma strap de má qualidade, um suporte e uns quantos livros a dizer Squier by Fender atiram areia para os olhos de quem não sabe o que acabou de comprar. A primeira guitarra é fulcral para o desenvolvimento do guitarrista em aprendizagem. Para quem está de fora, os 150/200€ pagos pelo kit, representam um esforço extra que será recompensado com a ascensão ao estrelato potenciada pelo dito remo. Se a primeira guitarra apenas servir para começar e não para progredir até um certo ponto, acabaram de ir uns quantos euros para lixo, que fariam muito jeito na compra de algo melhor.
Para quem se interessa pelo assunto e começa averiguar e aprender, descobre todo um mundo maravilhoso de sonhos e fantasias, que é o mundo dos guitarristas! Quando assim é, surge o interesse e começa-se a procurar o tão desejado machado que vai permitir dar o salto. A forma mais fácil e óbvia é na internet, desde o conforto do lar. E então numa pesquisa mais extensa lá surge a Gibson Les Paul Custom XPTO 2000 RS TURBO com pickups EMG Hot-rod Killer Nazgul Shredder 5, que alguém está a vender no OLX a 400€. Após uma investigação das fotografias, a guitarra diz "made in USA"... e agora? A descrição diz réplica, e o vendedor diz que a guitarra é muito boa. Réplica não significa que é igual? Após uma busca de réplicas, aparecem os site chineses cheios de grandes maquinões que custariam 20000€ como a Frankestein do Eddie Van Hallen, por 200$ mais portes. E então pensa-se: as guitarras de gama baixa da Ibanez, da Jackson, da Epiphone, da Squier, são feitas em países asiáticos. Uma réplica feita na China de repente não parece uma ideia tão má. É tudo feito na China, desde as sapatilhas à roupa de marca! Só que aí está o problema. Uma marca registada, com controlo de qualidade, é feita em fábricas por mão de obra legal e paga. A contrafação (as réplicas) é feita em fábricas por mão de obra ilegal, menor e mal paga, com 0 controlo de qualidade. O diabo está nos detalhes, e as grandes guitarras têm muitos diabos. O certo é que falham sempre nos pormenores e às vezes até no nome da marca...
Por outro lado, existem os seguintes problemas na aquisição dessas guitarras:
ALFÂNDEGA!!! Os magníficos serviços portugueses de inspeção aduaneira que chegam a reter relógios binários porque acham que são bombas. Importar uma guitarra de contrafação é um risco, pois é ilegal e pode ser confiscada, ficando o desgraçado do consumidor que se deixou enganar docemente pelo vendedor. Outro dos perigos é a má comunicação e o terrível serviço pós-venda que esses sites oferecem. Se encomendarmos uma Fender Stratocaster Deluxe verde estamos sujeitos a receber uma Fender Telecaster amarela, e para trocar é um processo muito demorado, se o vendedor responder à reclamação. Digamos que comprar uma réplica, é uma lotaria. Pode saír uma boa guitarra como um insulto a todos nós...
Portanto, as guitarras da gama mais baixa devem ser evitadas, os starter packs também, assim como as réplicas e as guitarras à venda em hipermercados e lojas de electrodomésticos. O melhor mesmo são as guitarras de gama média/baixa, acima dos 250 euros, ou então guitarras usadas de gama média, desde que sejam experimentadas previamente. Lembrem-se que acima de tudo, mais vale esperar um pouco e comprar algo melhor do que ser impaciente e arranjar algo que não nos permita evoluir.
See you all on the Guitarway!
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