Quantos de nós sonha com "aquela" guitarra, "aquele" baixo, ou "aquela" bateria?
Levamos anos a sonhar, a ver imagens da ou das eleitas, a ler reviews, pesquisar madeiras, pickups, artistas que as usam. Quantas vezes invejamos os coleccionadores, os Bonamassas e os Slashes que tiram fotos com todas as unidades nas suas colecções, onde não está uma, nem duas, mas várias guitarras que nos fariam mais do que felizes, se tivéssemos apenas uma? E os amplificadores? Cabeças. cabs, combos de encherem as medidas ao mais esquisito dos músicos. Ou então quando aparece um miúdo asiático com 7 anos, a fazer maravilhas numa bateria que nós sabemos que os papás deram para o menino fazer vídeos para mostrar ao mundo como é que ele é melhor do que toda a gente.Vamos às lojas e experimentamos, vemos no OLX, no ebay e nas lojas online quanto é que custam novas e usadas.
No entanto, elas continuam longe como no primeiro dia em que as quisemos. E porquê? Porque não somos como aquele miúdo rico que tem uma Les Paul Goldtop apesar de só saber tocar "As Dunas"?
É simples. Nós colocamos esses sonhos num pedestal, tornando-se algo a alcançar um dia. No
entretanto temos as nossas bandas e aulas de música, temos de ter material para ensaiar, praticar e tocar ao vivo. Então preferimos sempre o conveniente ao ideal. Vejamos o meu caso.
Como muita gente, comecei com um armário de contraplacado feito na china, umas cordas e um saco de péssima qualidade. Tinha 12 anos. Meio ano mais tarde os meus pais deram-me uma guitarra melhor. Uma guitarra electro-acústica de uma marca chamada Channel, feita na Coreia. Sunburst de 3 cores. Aconselharam aquela guitarra na loja, como foi surpresa, eu não escolhi mas também não sabia grande coisa sobre guitarras na altura. 4 anos mais tarde tive uma Fernandes Strat 57 reissue, japonesa. Uma guitarra de topo que custou 100€ (20 contos na altura). Não conhecia a marca nem nada sobre guitarras japonesas, não era uma das minhas guitarras de sonho, só se parecia com uma (mal eu sabia o que tinha). Eu gostava das Strat mas a guitarra que me enchia as medidas era a Gibson Les Paul. Comecei a juntar dinheiro para uma, eventualmente comprei uma Yamaha AES 820, parecida com a Les Paul, por metade do preço, pickups DiMarzio feitos apenas para aquele modelo. Faltava o som. Eu sonhava com uma cabeça Marshall, mas tocava com uma BOSS ME-30. Mais tarde comprei uma BOSS GT-10, Depois um ART SGX 2000 Express (Pre amp valvulado) e um power amp Rocktron Velocity 250. E o Marshall nada...
Ou seja eu queria uma Gibson Les Paul, até podia ser uma Studio (600€ usada) e um stack Marshall. (+/- 700€ usado) = 1300€
Em vez disso comprei
Armário - 40€
Channel - 250€
Fernandes Strat + Boss ME-30 (usados) - 300€
Yamaha AES 820 - 800€
Boss GT-10 - 400€
ART SGX 2000 Express (usado) - 140€
Rocktron Velocity 250 (usado) - 250€
=2180€
Isto é o que acontece a praticamente todos os músicos. Perdem a noção do objectivo final, e ficam-se pelo mediano. Este ano consegui a Les Paul e o Marshall. 15 anos depois de ter começado. Por isso tudo o que eu posso aconselhar aos leitores, é o que eu aconselho aos meus alunos. Não há limite para o instrumento com que se começa. Cada uma deve arranjar o que puder, custe dez ou dez mil. Ao contrário de muitas coisas que têm versões de "instrução" e aprendizagem, os instrumentos quanto mais caros mais fáceis de tocar são. Se puder, compre uma guitarra para aprender, que possa usar ao vivo, como uma Epiphone de gama média, ou até uma Squier Classic Vibe, usada. Que gastem algum num amplificador decente. E depois juntem para os sonhos. Material usado há sempre à venda, desde que se experimente e esteja em boas condições, não há que enganar.
Ontem disse a alguém o amplificador que eu tinha. A resposta foi um sorriso e um "vai para o c@£§"#&!". E por uma vez na minha vida, soube bem ser "aquele" gajo. Por isso, apenas vos posso aconselhar isto e desejar que também se tornem "naqueles" gajos! See you all on the Guitarway!
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